Se há uma coisa que me irrita profundamente é a violência praticada
por jogadores que acabam de perder um jogo (futebol, volei, basquete
etc), como ocorreu nesta quarta-feira com o Botafogo, eliminado da
Copa do Brasil pelo Avaí, e com o Argentinos Juniors, desclassificado
da Libertadores pelo Fluminense. Embora reconheça que, em muitos
casos, seja uma reação à provocação dos adversários ou a péssimas
arbitragens, como foi o caso do time carioca, considero vergonhoso
esse negócio de perdedores recorrerem a socos e pontapés no final do
jogo.
Tão ou mais estúpida do que isso, e certamente um reflexo do que
ocorre nos gramados, é essa moda de torcedores de times malsucedidos
receberem jogadores nos aeroportos com xingamentos e intimidações. Na
maioria das vezes, são brutamontes desocupados que resolvem
descarregar frustrações pessoais em jogadores que seriam supostamente
os responsáveis pelo fracasso dos times. Refiro-me, particularmente, a
alguns torcedores do Botafogo que foram ontem ao aeroporto receber os
jogadores, após a eliminação precoce do time na Copa do Brasil.
Geralmente escolhem dois ou três atletas para intimidar, dirigindo a
eles uma fúria descontrolada que por pouco não chega à agressão
física. Se há jogadores medíocres no elenco que não estejam à altura
de vestir a camisa do clube, a culpa não é deles e sim dos dirigentes
que os contratam. Esses atletas jogam o que sabem e não podem ser
cobrados por algo que não são capazes de fazer. Além disso, vamos
combinar, ninguém deveria estar sujeito a ser abordado com violência
nas ruas, aeroportos etc por causa do seu baixo rendimento
profissional. Compreendo que o futebol envolva paixão, mas essa
prática já está indo longe demais.
Um tanto exagerada também, e por motivos opostos, é essa mania de
parte da torcida do Fluminense de fazer festa no aeroporto para
receber os jogadores a cada vitória sofrida e "milagrosa" do time. Se
foi necessária a realização de um milagre é porque a equipe não fez o
dever de casa durante a competição. Nesta Libertadores, por exemplo, o
Flu venceu apenas duas partidas em seis disputadas na primeira fase,
incluindo aí a vitória "impossível" de quarta-feira. E tem mais,
possivelmente, serão esses mesmos torcedores que estarão lá no
aeroporto para xingá-los no caso de resultados pífios no futuro. O
fato é que o Fluminense gosta de viver no fio da navalha, demonstrando
uma vocação para o drama que já rendeu aos torcedores muito sofrimento
nos últimos anos, como os não tão distantes rebaixamentos no
Campeonato Brasileiro. Cá entre nós, isso também é completamente sem
noção!
Ecio Pedro
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